NBIC e Novas Profissões

Nossos bisavós ficaram estarrecidos quando as novidades do seu tempo começaram a aparecer. Assim como nossos avós quando começaram a perceber que não mais conseguiam acompanhar tudo que acontecia nos novos tempos.

Novidades, novas perspectivas, sempre fizeram parte dos ciclos da vida e vão continuar fazendo parte.

Hoje, em 2018, continua assim, mas temos outros fatores: o tempo não se apresenta mais com o mesmo ritmo, o mundo virtual se tornando “real”, as formas de relações interpessoais sendo atravessadas por mídias sociais e aplicativos para comunicação, a própria comunicação sendo reaprendida com outros alfabetos. E como se isso tudo não bastasse a não linearidade sobre as coisas, pessoas, ideias e fatos.

A manipulação das informações e as fakenews também fazendo parte dessa nova forma de vida e de viver.

Por tudo isso e muito mais não estamos mais lidando somente com uma ou outra novidade onde ela faz parte da vida cotidiana. Esse é um momento onde sabemos sobre tudo e não sabemos nada.

O que é NBIC? Essa é uma sigla que se refere a Nanociência, Biotecnologia, Tecnologia da Informação e Ciências Cognitivas.

A inteligência artificial, coisas falando com coisas, a conectividade, já são parte do nosso presente, da nossa realidade.

Quando pensamos em novas profissões e que nem sabemos quais serão as profissões (ou trabalhos e/ou atividades) do futuro, precisamos ter em mente que elas já estão acontecendo.

Fazer conexões sobre como o mundo está hoje e as habilidades dos nossos jovens se faz urgente. Oferecer a eles muito mais do que informações se faz necessário. Estamos na pós-modernidade e informações há em todos os lugares o tempo todo.

O ser humano não nasce autosuficiente, muito pelo contrário! A necessidade do olhar que o constitui é estrutural.

Hoje, assim como os sustos que nossos bisavós, avós, pais e nós mesmos levamos com tanta coisa nova acontecendo o tempo todo, nossos jovens também estão assustados e muitas vezes com muitos receios da falta de perspectiva de futuro.

Muitas vezes falta a eles a clareza sobre o básico como o que é correto ou não fazer nas ações mais triviais do dia a dia. Por exemplo: como falar.

Algum leitor pode estar pensando que essa dificuldade sempre existiu. Sim, sempre existiu. Principalmente se levarmos em consideração situações superegóicas. Mas, o que estou trabalhando aqui é a ideia de falta de orientações básicas na constituição desses jovens onde lhe falta saber de si. Isso não será lhe dado por informações, para isso informação não só não ajuda como também pode atrapalhar.

Estou me referindo a condições emocionais para lidar com esse novo, nova vida e novo viver.

Os antigos modelos não cabem mais, precisamos rever urgente as novas inteligências e formas de estudar, ensinar e aprender. Mais uma vez reforço que não estou me referindo a somente conteúdo, mas sim a toda uma disposição emocional em construir um Ser. Essa construção exige muito trabalho!

Além do NBIC, temos aqui o “ensinar”, fora do modelo conhecido. Isso porquê considera a individualidade como potência.

Devemos também pensar em áreas que exigem criar! Não só as artes, mas com certeza elas também nas suas várias formas de expressão.

Outras são: as áreas que usam habilidades manuais finas onde robôs ainda demorarão muito para trabalhar. Por exemplo: a conhecida profissão de dentista. Também as áreas em que sejam necessários os cuidados humanos relacionados ao sentir.

Pensando nessas áreas acima e na não linearidade do tempo e espaço (como até pouco tempo se afirmava) temos uma rede enorme de possibilidades e perspectivas. Mas insisto que novas ideias, visões e ações, só poderão trabalhar a favor dos nossos jovens se eles tiverem condições a partir da humanização de quem lhes rodeia desde sempre, ou seja, do seu primeiro grande ciclo: o nascimento. Portanto, estamos falando dos humanos que os olha e deseja suas vidas em plenitude e sinceridade.

Boa sorte, informações e acima de tudo humanização, aos nossos jovens epara aqueles que fazem o papel de trazê-los à luz.