Você é um viajante ou um peregrino?

Ser um viajante ou ser um peregrino e a questão motivacional!

O viajante tem como estímulo um ponto a chegar. Usa o percurso ou a carreira como meio, como forma de atingir sua meta. Usa o caminho como instrumento para atingir aquilo que lhe dará satisfação. É como alguém que tem como objetivo chegar ao outro lado do rio e foca na outra margem. Seu olhar e suas ações permanecem fixas no ponto de chegada, ou seja, no atingimento da meta pré-definida. Sua motivação é alcançar o outro lado do rio, sua satisfação está em atingir a outra margem. Ele considera como será feito, porém o fazer em si tem outra qualidade de esforço e satisfação em relação ao peregrino.

O peregrino tem como motivação a própria carreira ou trajetória que está percorrendo. Cada passo é percebido como estímulo para dar o próximo passo. Cada passo dá o sentido da trajetória. A trajetória de sua carreira lhe dá prazer. A feitura de seu trabalho ou produto faz parte de um processo de construção tão valoroso quanto ou maior do que o atingir a finalização do mesmo. No caso do rio a própria ultrapassagem é seu foco. Ele opera com a possibilidade de nadar além de, por exemplo, construir uma ponte ou atravessar para a outra margem de barco. Considerar que nadar pode ser mais interessante ou eficaz do que construir uma ponte faz parte de seu prazer e meta. Atingir a meta existe, porém com outra qualidade de investimento de energia empregada em relação ao viajante.

Claro que existem outros tipos de motivação, mas vamos nos aprofundar um pouco mais aqui sobre a motivação em relação a esses dois pontos: o processo e o resultado.

Sugiro responder por escrito e refletir um pouco mais sobre:

Você está viajante ou peregrino na sua vida? E em sua atividade profissional?
Seu foco é no processo ou no resultado?
O investimento de sua energia está no fazer ou no alcance da meta?
Sua satisfação é na feitura ou na meta a ser atingida?
Ainda pensando no exemplo do rio. É muito importante quando percebemos o que e como flui para nós. Perceber como e quanto investimos de esforço naquilo que valorizamos e qual a quantidade e qualidade de satisfação obtemos com o nosso caminhar (processo) e nosso objetivo (resultado) e usar essa informação e percepção a nosso favor pode ser muito rico para nossas escolhas.

As empresas requerem resultados. Resultados através de processos adequados e eficazes. Um processo bem realizado e de alta qualidade não é menos importante do que a obtenção do resultado que ele gera.

As pessoas têm perfis diferentes que podem atender às necessidades das empresas de formas diferentes. Pode ser possível uma certa facilidade para, em alguns momentos, dar foco ao processo e, em outros, dar foco ao resultado (e essa flexibilidade pode ser bastante interessante) porém há uma tendência natural de sentir-se mais confortável em uma ou outra posição. Essa clareza, sobre como se posiciona frente ao mundo, ou seja, como viajante ou peregrino, pode trazer mais satisfação e um fluir melhor, sentindo-se mais produtivo e motivado no exercício da atividade profissional ou até mesmo da vida.

As duas fases, tanto os processos, quanto os resultados, estão estritamente ligadas. As fases precisam estar alinhadas e coerentes, tanto do ponto de vista da contribuição de cada um, até a mais complexa das estratégias da empresa, que por sua vez está ligada ao seu segmento, mercado, questões políticas, econômicas. Esse movimento de retração e expansão, do micro ao macro e vice-versa, acontece o tempo todo.

Vamos voltar ao rio, vamos refletir sobre se estamos viajantes ou peregrinos, pois esse é um questionamento sobre como estamos nos posicionando frente à vida.

Qualquer atividade profissional, não são só as empresas, requer resultado. Uma atividade profissional autônoma, ou qualquer outra com algum outro modelo (o que hoje é muito comum e amplo) também requer. E quanto aos processos ou ao nosso caminhar, simplesmente já está acontecendo.

Note que estamos referindo a estarmos viajantes ou peregrinos e não sobre sermos viajantes ou peregrinos. E a referência dessa forma é absolutamente proposital, pois estamos falando também na possibilidade de transformação.

Transformação… mas esta já é uma outra história…